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Estratégia para expansão da conectividade digital na Amazônia exige integração entre infraestrutura, regulação e desenvolvimento

9 de out.
2 min de leitura

Painel do Amazon On 2026 reuniu representantes do Brasil, Suriname, Portugal e Cabo Verde para discutir conectividade significativa, cooperação regional e caminhos para transformar infraestrutura digital em desenvolvimento econômico e social na Pan-Amazônia.


A expansão da conectividade na Amazônia não pode ser medida apenas pela cobertura de rede. Esse foi o ponto de partida do painel “Estratégia para Expansão da Conectividade Digital na Amazônia”, que reuniu diferentes perspectivas sobre infraestrutura, regulação, investimentos e cooperação internacional.


Moderador e keynote, Luís Guillermo Alarcón, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentou uma abordagem baseada no conceito de conectividade significativa e no uso de dados territoriais para orientar investimentos. Como sintetizou:


“Na Amazônia conectividade não é apenas cobertura, ela precisa ser infraestrutura produtiva, social e climática.” Luís Guillermo Alarcón, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

A discussão mostrou que diferentes territórios exigem diferentes soluções. O ministro de Transportes, Comunicações e Turismo do Suriname, Raymond Landveld, destacou os desafios de conectar populações dispersas no interior do país e a oportunidade de ampliar a cooperação com o Brasil, especialmente em áreas de fronteira. Para ele, infraestrutura digital pode apoiar educação, turismo e novas atividades econômicas em comunidades hoje pouco conectadas.


No Brasil, o secretário Hermano Barros Tercius apresentou os resultados e próximos passos do programa Norte Conectado. As infovias fluviais já permitem ampliar a resiliência das redes e levar conectividade a municípios antes dependentes de soluções limitadas. O próximo passo, segundo ele, é avançar para novos trechos, fechar anéis de infraestrutura e ampliar o uso das redes em serviços como saúde e educação. “A ideia agora é a gente fazer um pouquinho além do básico.”


A dimensão regulatória também esteve no centro do debate. Jesileia Teles, superintendente de fiscalização da Anatel, apresentou instrumentos como compromissos de conectividade previstos em editais, Termos de Ajustamento de Conduta e conversão de sanções em obrigações de cobertura. Segundo ela, “existem todo um arcabouço de ferramentas regulatórias que a Anatel tem lançado mão para poder trazer conectividade, inclusão digital e transformação social para a região.”


A experiência internacional ampliou a discussão. Sandra Maximiano, presidente do Conselho de Administração da Anacom, abordou o potencial dos cabos submarinos para além da transmissão de dados, incluindo sensoriamento ambiental e climático, enquanto Leonilde Tatiana Santos, de Cabo Verde, destacou a necessidade de combinar infraestrutura, cooperação e políticas de inclusão para que a tecnologia efetivamente chegue às pessoas.


O painel convergiu para uma questão central: na Amazônia, infraestrutura é condição necessária, mas seu impacto depende da capacidade de articulá-la com regulação, financiamento, cooperação regional e serviços capazes de transformar conectividade em desenvolvimento.


 
 
 

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