Conectividade na Amazônia: soluções precisam chegar às pessoas para gerar transformação
Painel do Amazon On reuniu Banco Mundial, UIT, UNESCO e iniciativa privada para discutir experiências concretas, barreiras à inclusão digital e o papel da cooperação na construção de soluções sustentáveis para a região.
Ampliar a conectividade na Amazônia exige mais do que instalar infraestrutura. É necessário compreender as necessidades das comunidades, orientar investimentos com base em evidências e transformar o acesso digital em benefícios concretos para a população. Esse foi o eixo do painel “Amazônia, experiências de sucesso: necessidades, barreiras, soluções e transformações”, moderado por Otávio Pieranti, conselheiro da Anatel.
Representando a União Internacional de Telecomunicações (UIT), Ana Veneroso destacou que a transformação digital precisa considerar as características sociais, culturais e ambientais dos territórios.
“Não há uma única solução, nem essa solução vem de um único setor e nem de uma única tecnologia”, afirmou Ana Veneroso representante da UIT para as Américas.
Ana Veneroso também abordou a relação entre tecnologia e mudanças climáticas e a importância de fortalecer redes comunitárias, ampliar capacidades locais e desenvolver soluções adequadas às populações rurais, indígenas e remotas.
Pela UNESCO, Rafael Radke chamou atenção para uma barreira que nem sempre recebe a devida atenção: a língua. Embora milhares de idiomas sejam utilizados no mundo, uma parcela muito menor está presente no ambiente digital. A inclusão de línguas indígenas em dispositivos e interfaces, como no caso do nheengatu citado no debate, demonstra como a tecnologia pode ampliar o acesso à informação sem desconsiderar a identidade das comunidades. Para Radke, o resultado precisa ser avaliado pelos benefícios reais que produz, como autonomia, conhecimento e participação.
Luciano Charlita, especialista sênior em desenvolvimento digital e inteligência artificial do Banco Mundial, trouxe dados sobre as lacunas de conectividade na Amazônia internacional. Segundo os estudos apresentados, a falta de conexão pode representar perdas de eficiência de 15% a 30% para produtores locais da bioeconomia. Charlita também destacou o potencial da TV 3.0 como plataforma de prestação de serviços públicos, com distribuição de informações direcionadas a diferentes comunidades e possibilidade de conteúdos em idiomas distintos.
Na perspectiva da iniciativa privada, Leandro Brum, CEO Brasil do EFTS Group, apresentou o uso de dados para identificar lacunas de cobertura, qualidade e concorrência e apoiar decisões de investimento mais precisas. A análise de indicadores municipais permite priorizar regiões e aproximar os recursos disponíveis das necessidades efetivas de conectividade.
Ao final, os painelistas convergiram para a importância da cooperação entre governos, empresas, organismos internacionais e comunidades locais. Como resumiu Brum: “o benefício das soluções que rodam através da conectividade é que faz a diferença para a população”.
A discussão reforçou uma premissa central para o desenvolvimento digital amazônico: conectar é o começo. A transformação acontece quando infraestrutura, políticas públicas e soluções tecnológicas se traduzem em oportunidades, serviços e qualidade de vida.

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