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As camadas da soberania digital no território amazônico

30 de set.
3 min de leitura

Atualizado: há 2 dias


Debate no Amazon On examina a convergência entre segurança da informação, robustez de redes e provedores regionais para garantir a presença do Estado e o desenvolvimento sustentável na Bacia Amazônica.


A consolidação da infraestrutura de telecomunicações e energia na Amazônia Legal transcende a expansão de cobertura comercial; coloca-se no centro da soberania nacional, da proteção de dados críticos e do desenvolvimento sustentável das populações locais. O tema norteou as discussões do quarto painel do Amazon On, dedicado a analisar como a segurança cibernética, a robustez das redes e a atuação dos provedores regionais de internet moldam a presença do Estado na região.


A condução dos trabalhos ficou a cargo do jornalista Henrique Julião, que assumiu a moderação do painel articulando as visões do governo federal, da indústria de tecnologia, dos operadores locais e dos provedores satelitais. Na abertura, Julião sublinhou a natureza estratégica da conectividade territorial. "Falar em soberania na Amazônia implica assegurar que as infraestruturas de comunicação e energia sejam resilientes, seguras e capazes de atender tanto às demandas da defesa nacional quanto às necessidades básicas das comunidades isoladas", destacou o moderador.


A dimensão da segurança institucional foi detalhada pela diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo Federal, Dra. Danielle Ayres. Em sua intervenção, a diretora enfatizou que a expansão da conectividade em áreas fronteiriças e de difícil acesso exige protocolos rigorosos de proteção contra ameaças cibernéticas e interferências indevidas.


"A infraestrutura de telecomunicações é um ativo crítico de estado. Proteger essas redes na Amazônia é salvaguardar a integridade dos dados governamentais e a própria soberania do país em uma área estratégica do globo", afirmou Dra. Danielle Ayres, diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo Federal.

Sob a perspectiva da arquitetura tecnológica e governança corporativa, o diretor de Tecnologia, Governança e Proteção de Dados da Huawei Brasil, Marcelo Motta, abordou a necessidade de implementar padrões globais de cibersegurança alinhados às especificidades geográficas regionais. Motta pontuou que a resiliência das redes amazônicas depende de equipamentos projetados para suportar condições climáticas severas, associados a sistemas de criptografia e redundância de dados que evitem interrupções nos serviços essenciais.


A realidade da ponta do sistema e o papel dos pequenos e médios operadores foram apresentados pelo CEO da ClickIP e vice-presidente da Associação de Provedores de Internet do Amazonas (APRIAM), Maykon Souza. Souza ressaltou que os provedores regionais de internet (ISPs) são os responsáveis diretos por levar o sinal aos municípios do interior e às comunidades ribeirinhas onde grandes operadoras não mantêm operação estruturada. "A soberania digital se constrói com quem está no território. Os ISPs locais garantem a conectividade real da Amazônia, mas necessitam de condições isonômicas de financiamento e segurança jurídica para expandir a infraestrutura com sustentabilidade financeira", pontuou.


O painel contou ainda com a contribuição internacional de Einsten Dionísio, representando a Global Satellite/Peru, que trouxe o panorama das conexões via satélite transfronteiriças na América do Sul. Dionísio assinalou que o atendimento a regiões remotas da Bacia Amazônica exige a integração de tecnologias satelitais com as redes terrestres e subfluviais de fibra óptica, criando sistemas híbridos capazes de manter a comunicação em áreas de selva densa e calha de rios.


Os participantes concluíram que a soberania e a sustentabilidade na Amazônia não se alcançam de forma isolada, mas por meio de uma articulação contínua entre regulação estatal, proteção cibernética de ativos críticos, inovação tecnológica de fornecedores globais e o fortalecimento dos atores operacionais locais.



 
 
 

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