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As redes subfluviais, a conectividade sem fio e o papel da infraestrutura digital na Bacia Amazônica

há 4 dias
2 min de leitura

Infraestrutura subfluvial de fibra óptica, conectividade sem fio de alta capacidade e monitoramento por cabos inteligentes articulam a transição digital da Amazônia a partir de projetos de articulação pública e privada.


A implantação de infraestrutura de telecomunicações na Bacia Amazônica enfrenta obstáculos logísticos e geográficos únicos, caracterizados pela extensão territorial, densidade vegetativa e dependência dos cursos d'água. No painel "Tecnologia & inovação a serviço da floresta", realizado durante o fórum Amazon On, especialistas, reguladores e executivos debateram como redes subfluviais de fibra óptica, soluções sem fio e cabos submarinos inteligentes estão sendo implantados para conectar municípios remotos e subsidiar políticas públicas de saúde, educação e segurança pública.


A mediação do painel foi conduzida pelo conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Alexandre Freire, que abriu a discussão ressaltando a dimensão regulatória e a necessidade de alinhar os avanços tecnológicos às diretrizes ambientais, sociais e de governança (ESG).


"A consolidação da conectividade na Amazônia exige que a expansão da infraestrutura caminhe lado a lado com a preservação ambiental e a garantia de direitos dos cidadãos, transformando o acesso digital em vetor de desenvolvimento socioeconômico sustentável", afirmou Freire.

Na apresentação técnica inicial, o vice-presidente de Vendas e Marketing da HMN Technologies, Alexander Lee, detalhou os parâmetros operacionais da Infovia 01, integrante do Programa Norte Conectado do Governo Federal. A infraestrutura abrange 1.204 quilômetros de cabos ópticos subfluviais lançados no leito dos rios amazônicos, interconectando 11 municípios, 170 instituições públicas e beneficiando cerca de 3 milhões de pessoas. Lee destacou que a implantação de cabos ópticos subaquáticos evitou o desmatamento de milhares de árvores, caso fossem abertas faixas de servidão terrestres para a passagem de linhas de transmissão tradicionais. 


Complementando a infraestrutura de transporte (backbone), a distribuição do sinal na ponta (last mile) requer tecnologias adaptadas. O diretor sênior de Relações Governamentais da Qualcomm, Maximiliano Martinhão, ressaltou a aplicação de soluções sem fio de última geração para conectar comunidades distantes dos leitos dos rios. "A fibra óptica atua como a grande artéria de transporte de dados, mas a chegada do sinal às escolas, postos de saúde e moradias em áreas rurais depende da combinação estratégica com conexões sem fio de alta capacidade, garantindo escalabilidade e menor impacto no solo", pontuou Martinhão.


Sob a perspectiva acadêmica e de inovação em pesquisa, o professor Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e integrante do Projeto Selva, apresentou os desafios do monitoramento ambiental em tempo real. A disponibilidade de conexão estável e de baixa latência é pré-requisito técnico para a operação de redes de sensores que medem variáveis microclimáticas e apoiam ações de fiscalização e proteção da floresta.


A infraestrutura subaquática também passa por transformações funcionais. Rogério Mariano, representante da Força-Tarefa para Cabos Submarinos Inteligentes (organizada pela UIT, OMM e UNESCO), abordou a evolução das redes ópticas para a tecnologia SMART (Science Monitoring And Reliable Telecommunications). A integração de sensores às repetidoras dos cabos subfluviais e submarinos permite coletar dados sísmicos, hídricos e de temperatura do leito dos rios, transformando a infraestrutura de comunicação em uma rede ativa de monitoramento climático e ambiental. O painel concluiu que o modelo de redes subfluviais desenvolvido no Brasil já serve de referência internacional para outros países com barreiras geográficas semelhantes, como o projeto no Lago Tanganica, na África Central.


 
 
 

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